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Educação sexual e inclusão....

Artigo: A trajetória silenciosa da sexualidade dos surdos

Autoras: Jéssica Nunes de Carvalho

               Ruth Maria Mariani

A pesquisa médica acerca da surdez vem contribuindo em vários aspectos para a qualidade de vida da população surda; no entanto, cuidar dessa população não é apenas um assunto do âmbito da patologia. Na educação antes do século XX a inclusão era pouco pensada; a maioria das pessoas com deficiências eram segregadas por algum motivo, geralmente não tinham condições mínimas nem eram amplamente amparadas legalmente para participar no espaço da escola.

Na segunda metade do século XIX, surgem no Brasil as “escolas especiais”, como Instituto Benjamim Constant e Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), cujo atendimento era destinado às crianças “deficientes”. Contudo, algum tempo depois, as classes especiais foram criadas dentro de escolas regulares.

Na década de 1970, aparece o que hoje se denomina integração, ou seja, as escolas comuns aceitavam alguns alunos antes rejeitados, desde que conseguissem adaptar-se. Todavia, essa adaptação raramente acontecia, pois aqueles espaços não eram feitos para melhor comporta-los. Ao final da década de 1980 e inicio dos anos 1990, inicia-se o processo denominado inclusão, o qual, segundo Santos (2002) “começou como um movimento de pessoas com deficiência e seus familiares na luta pelos seus direitos de igualdade na sociedade. E como a maioria desses direitos começa a ser conquistada a partir da educação (da escola, lugar onde se ensina cidadania), a inclusão chegou até a escola (espelho da sociedade)”.

A partir de então, surgem no Brasil, diferentes instrumentos legais que legitimam a inclusão na instituição escolar como Artigo 3º, 5º e 205º da Constituição Federal de 1988; Lei da Pessoa Portadora de Deficiência, Lei nº 7853/1989; Decreto nº 3298/1999, que regulamenta a Lei 7853; Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica; Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB de 9.394/1996).

Dessa forma, pode-se destacar a grande relevância da produção de materiais didáticos como instrumentos deste processo de inclusão, contemplando maior interação entre os alunos deficientes e ditos normais de uma mesma sala de aula.

Segundo Assis, Pereira e Silva (2015) “sem esses materiais didáticos adaptados se torna, muitas vezes, inviável o processo de ensino-aprendizagem, pois muitos alunos se sentem excluídos por não estarem participando da aula. Além disso, tais materiais didáticos são responsáveis por motivar e melhorar a autoestima desses alunos”.

Além disso, a pesquisa em questão esta focada na produção de modelos científicos de assuntos potencialmente multidisciplinares na área de Ciências, assim compreendendo como modelo a definição do Dicionário Oxford de Filosofia (BLACKBURN, 1997) “pode ser definido como uma representação de um sistema por outro, usualmente mais familiar, cujo funcionamento se supõe ser análogo ao do primeiro”.

 A metodologia utilizada é a pesquisa-ação que acontece no INES, pois é de extrema importância fabricar todo o material e oficinas com os atores do processo e assim estaremos atendendo o movimento nada sobre nós sem nós; assim favoreceremos as ações e a produção cooperativa de conhecimentos específicos sobre a realidade desta comunidade.

Para realização deste trabalho foi realizado um levantamento bibliográfico sobre os conteúdos a serem abordados nas oficinas que estão sendo aplicadas nas turmas da instituição, na grande área do ensino de ciências.

 Todo o projeto atende as exigências legais, pois foi realizada logo no início da pesquisa a inscrição do projeto na Plataforma Brasil, que considera todas as exigências. O projeto baseia-se em argumentos e justificativas que atendem um aspecto que pode ser muito destacado: a relevância social, pois considerando a Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988, cujo um dos objetivos é a construção de uma sociedade igualitária, o projeto objetiva, através das pesquisas e produção de materiais didáticos para escolas públicas.

Foi realizada uma investigação in situ, para identificar respectivas classes a ser trabalhado nas oficinas, após o conhecimento das mesmas, que serão alunos do CF1 E CF2, respectivo ensino fundamental 1 e 2, com alunos de 11 a 17 anos, pois assim que se é divido no INES, começará a seleção das atividades propostas para alunos surdos e deficientes auditivos.

 Um fator determinante para a construção dessas atividades foram o baixo custo material e a fácil reprodução.

Assim, o objetivo geral deste artigo foi realizar um levantamento bibliográfico para desenvolver oficinas, ou reconstruir oficinas com ênfase no ensino de ciências, a fim de facilitar o processo de ensino-aprendizagem na área de DST/AIDS.

Os resultados que encontramos foram, nas bases de dados do Scielo e Portal Capes, artigos em português e do Brasil, utilizando as palavras chaves separadamente, surdos, sexualidade e depois surdos e sexualidade, materiais didáticos e depois concomitantemente surdos e materiais didáticos e sexualidade, foi verificado:                                                                                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta pesquisa nos mostrou que há uma carência e necessidade de realizar estudos sobre o tema, pois foi encontrado 0 artigo com surdos/materiais didáticos e sexualidade na Base Scielo e somente 2 no Portal Capes.

Destacamos na literatura artigos que mencionam que aqui ainda há dificuldades dos surdos brasileiros quanto ao acesso à saúde, com vista a melhorar as intervenções dos profissionais que tratam das doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, no atendimento a esta população seja nas escolas ou nos ambulatórios médicos (CHAVEIRO, et.al, 2009; RIBEIRO, 2009).

Podemos perceber que, ao longo da história, a forma como a sociedade vem tratando do tema da sexualidade depende dos atores envolvidos no processo e é uma relação de poder, como por exemplo, nas sociedades islâmicas tradicionalistas as mulheres tem um papel diminuído em relação aos homens.

Uma pesquisa com crianças surdas da Noruega nos chamou a atenção, pela taxa mencionada de abuso sexual era duas vezes maior em meninas e três vezes maior nos meninos do que em crianças ouvintes. Metade das vítimas relataram que foram abusadas em uma escola (tipo internato) e dos seus agressores 44% eram ouvintes, 41% eram surdos pedófilos e 15% sofreram abusos pelos grupos de surdos e ouvintes (Fellinger, et.al, 2012). Esses índices no Brasil ainda são desconhecidos, mas a capacidade de relato do abuso é comprometido pela dificuldade linguística em todos os ambientes: médicos, escolas e policiais.

A construção do conhecimento incluindo para a saúde e cidadania implica captar as transformações ou reconstruções mentais que somos capazes de incorporar. Por isto, o saber necessita encontrar todas as formas factíveis e eficientes de comunicação com a comunidade surda, o repensando na relação aluno surdo com professor ouvinte com a interferência de uma terceira pessoa neste caso o interprete da língua de sinais (MARIANI, 2014).

A ausência da comunicação sobre o tema abordado, DST/AIDS; poderá acarretar graves conseqüências para o desenvolvimento social, emocional e intelectual do ser humano surdo. Capovilla (2005) ressalta ainda que: “se não houver uma base linguística suficientemente compartilhada e um bom nível de competência linguística para permitir uma comunicação ampla e eficaz, o mundo da criança surda ficará confinado a comportamentos estereotipados aprendidos em situações limitadas” (CAPOVILLA, 2005).

Esse autor conclui que o pensamento humano se desenvolve através da palavra, depende das impressões sensoriais que estejam envolvidas, e assim passa a ter um significado que permite ser pensado e transmitido à outra pessoa. Para o surdo o significado das palavras é um fenômeno cultural intermediado que depende da existência de um sistema compartilhado de símbolos (Quadros, 2004), daí a importância das oficinas e dos materiais didáticos organizados pensando neste publico.

Todos estes autores caminham numa única direção: a comunicação é essencial para o desenvolvimento pleno do cidadão e o domínio de uma língua irá influenciar de maneira positiva nas relações de trabalho, na comunicação diária, nos registros escritos, nos meios de comunicação, na saúde do cidadão. O distanciamento da oportunidade de participar no planejamento, implementação e avaliação de políticas, serviços e medidas relacionados a sua vida deve comprometer os índices de qualidade de vida desta população, índices esses ainda no Brasil sem o conhecimento devido. 

 

 

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